O número de sinistros e óbitos envolvendo motociclistas em Aracaju tem sido alarmante. Segundo dados estatísticos da SMTT, BPtran, BPRv e IML, de janeiro a 23 de abril deste ano foram registrados 12 óbitos envolvendo motociclistas em Aracaju. Esse número representa um aumento de aproximadamente 9,09% quando comparado ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 11 óbitos. Em todo o ano de 2025 foram registrados 1.782 sinistros envolvendo motociclistas, sendo 34 fatais e 1.748 não fatais.
Em busca de soluções que minimizem esse problema, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), realizou na manhã desta quinta-feira, 23, a sexta reunião do Grupo de Estudos com diversos órgãos de trânsito, segurança pública, saúde e educação. O debate girou em torno da socialização de ideias entre as instituições com o objetivo de contribuir para a redução do número de sinistros e mortes envolvendo motociclistas na capital. O encontro aconteceu na sede da SMTT e deu continuidade ao ciclo de reuniões iniciado no ano passado.
O superintendente da SMTT, Nelson Felipe, mostrou-se preocupado com os altos índices de sinistros e de mortes que têm vitimizado motociclistas “Essa é uma grande preocupação muito grande que nós temos. Precisamos unir os governos das três esferas para trazermos soluções. A cada dia que passa temos mais situações perigosas e preocupantes para a sociedade no que diz respeito aos sinistros envolvendo motocicletas. Temos que tomar providências e, juntos, trazer ideias para que se possa reduzir algo que está se assolando na sociedade”, afirmou.
Nelson Felipe acrescentou que tem buscado conhecer a realidade em outros locais. “Converso muito com colegas da região, principalmente do Nordeste, e parece que temos uma epidemia de sinistros envolvendo motos. Muitas pessoas ainda não estão obedecendo às leis de trânsito. As irregularidades são absurdas. Este ano, a SMTT praticamente duplicou o número de autuações, e mesmo assim, a quantidade de sinistros continua elevada. Então eu continuo pedindo a todos para possamos pensar soluções para resolver esse problema”, afirmou.
O encontro teve como convidado o ex-superintendente do Hospital de Urgências de Sergipe (Huse), o médico Roberto Gurgel, que levou ao debate números estatísticos que refletem a gravidade do problema. Segundo ele, o Huse realiza, atualmente, cerca de 500 cirurgias ortopédicas por mês, sendo que 85% desse total é em pacientes envolvidos em sinistro com motocicleta. “Essa situação está ceifando vidas e deixando muitas vítimas sequeladas pelo resto da vida, sendo a maioria jovens. Há uma necessidade de toda a população em entender a magnitude deste problema. É preciso que as pessoas possam, a partir daí, criar mecanismos para que os sinistros não aconteçam mais. Acho bom estarmos aqui conversando sobre isso. A solução é multifatorial, mas acredito que começa pela educação”, disse. Ele também citou algumas infrações bastante comuns, como o não uso de capacete, que acaba ocasionando muitos traumatismos cranianos.
Durante a reunião, foi realizada a apresentação de uma proposta do Grupamento Especial Tático de Motos (GETAM), feita pelo tenente Willams Lins da Silva. O objetivo é ministrar palestras e cursos a motoboys, entregadores, vendedores externos e outros profissionais que utilizam moto. Os cursos serão voltados a habilidades como controle de baixa velocidade, desvio de obstáculos, frenagem de emergência, entre outras.
Opinião semelhante teve a enfermeira do Samu Sergipe, Daniele Martins. “Somente no ano passado, o Samu atendeu mais de 67 mil ocorrências, quase metade delas em Aracaju. Muitas delas tiveram a ver com pessoas conduzindo motocicletas. Precisamos dessa força-tarefa e mostrar isso para a população, a realidade do que está acontecendo”, destacou. Segundo dados estatísticos trazidos por ela, em 2025 o Samu atendeu 2.847 colisões de carro com motocicletas, 1.004 colisões de moto com moto, e 146 colisões de moto com caminhão.
O comandante do BPRv, tenente-coronel Silveira, também destacou a necessidade desse trabalho em conjunto. “Infelizmente a motocicleta é o principal alvo dos sinistros de trânsito. Em diversos casos, em finais de semana, praticamente todas as ocorrências atendidas pelo BPRv são com moto. Então todos os órgãos aqui reunidos têm essa preocupação de conscientizar o motociclista de que ele precisa se proteger e respeitar a legislação de trânsito. Nesta reunião vamos alinhar o planejamento adequado para informar à população sobre esses dados estatísticos, e também fiscalizar e educar os cidadãos”, afirmou.
Com informações de Agência de Notícias PMA








